do meu casebre, de contas pagas, banhos frios, e moedas catadas nos
forros das bermudas, eu observo os condomínios de carnês e as mansões de
prestações, com suas guaritas e outras mazelas. nelas, passarinhos e
outros animais de duas ou mais patas que lá vivem, vivem escravos às
gaiolas que cada vez mais se tornam alçapões.
no meu
casebre, não existem gaiolas. passarinhos e animais de todo o tipo
entram e ficam à vontade e assim também se sentem para ir embora.
enquanto não, dividimos migalhas de pão. juntamente com a brisa, uns
assobiam, outros latem, outros miam, outros simplesmente espreguiçam,a
canção da liberdade que eu tento não desafinar com meus assobios que
riem do meu bico.
Sunday, June 02, 2013
Thursday, January 17, 2013
Sunday, December 23, 2012
bom para gato também é bom pra cachorro. mas só de vez em quando;)
Tuesday, November 13, 2012
eu não disse? cachorro paradoxo é bom pra cachorro
http://www.sedentario.org/imagens/meu-cachorro-paradoxo-58044?utm_source=rss&utm_medium=rss&utm_campaign=meu-cachorro-paradoxo
cole o link acima na sua barra de endereços e curta o paradoxo por completo do começo ao fim. há que chore, há quem ria, há quem reflita. indiferente, não me pareçem ainda.
cole o link acima na sua barra de endereços e curta o paradoxo por completo do começo ao fim. há que chore, há quem ria, há quem reflita. indiferente, não me pareçem ainda.
Monday, October 22, 2012
cão de saturno: ou foram-se os anéis e ficou a escrita bom pra cachorro
Elsa Morante, “Cão”, 1939
Elsa Morante
Cão
O meu cão nasceu sob o signo de Saturno. Vocês saberão, espero, qual estranha cor de dias, verde lívido estriado de roxo, amarelo e sanguíneo, cabe a quem nasce com esse signo. Nele se sentia contínua a presença do astro natal: era diferente dos cães habituais. Iremos chamá-lo de “Ele”, para diferenciá-lo do outro, que inesperadamente entrou na sua vida, esmagando-a.
Enchia, quem o olhasse, de admiração e de compaixão; às vezes, de um tormento inquieto. Tinha um comportamento humilde e afetuoso; e todos eram seus donos, no sentido de que o amor por todos os homens, especialmente se grandes e robustos, o consumia. Se rechaçado, desviava-se rapidamente, com os olhos cheios de pudor angustiante: daqueles olhos a humilhação fazia correr lágrimas de pena, de uma cor turva, como se estivessem quase mesclados de sangue. Para animá-lo, tratando-o como um cão, a fúria vital o possuía, fictícia, e começava a pular com gracejo de ambição ansiosa; mas nem mesmo dessas brincadeiras a dor se ausentava. Esse eco surdo era impossível de ser esquecido na sua voz. Ria, às vezes, com um riso agitado, com a língua pendente e as orelhas baixas. Na noite de lua cheia cantava com uma voz baixa um hino selvagem, lamentoso.
Por que não dizê-lo? Era viciado e vil. Nas suas pupilas, prestando bem atenção, além do amor e da nostalgia absurda de ser um cão, percebia-se uma covardia desesperada, atávica. Sei que se agarrava naquela sua raiz de covardia, consumindo a sua vida, sem trégua. Acrescento que ninguém, naquele país humano e infantil, poderia reprovar nele a existência de uma coisa desse tipo: todos, não digo que não se dessem conta dela, mas queriam esquecê-la. Aliás, com respeito pudico, removiam dele a ocasião de revelar a sua raiz pálida. A um animal que sabia rir e chorar e que conhecia a arte do canto, nenhum homem, ou cão, nunca poderia perguntar-se se sabia excitar-se. Eu já o disse, era viciado. Procuravam-no como guia (era um erudito que, farejando, descobria as ruínas antigas); chamavam-no de “belo”, embora fosse um simples cãozinho bastardo. Os malandros lhe ofereciam pão molhado e as jovens lhe davam tanta carne crua que uma vez ele teve uma dermatite. É preciso admitir, nesse ponto, que ele não gostava muito de tomar banho. Ficava feliz quando escutava a palavra “belo”, e ria, agitando a língua.
Tinha aproximadamente dez anos, quando um dia, subindo por uma escada de pedra, se deparou com um lindo cão, quase um urso, que lhe disse: “Eh!”. Por que não chamá-lo, de fato, “um lobo”? A fera vibrava e tinha sobressaltos em cada músculo, e rosnando umedecia as suas gengivas. Não havia naquele “Eh”, nem mesmo a condescendência de um desafio, mas uma certeza indiferente, a promessa feita a si mesmo de um jogo rapidamente realizado. Ele riu, para acalmá-lo e para fingir a brincadeira, mas sentiu sob as suas patas, na terra, aquela raiz entorpecida raspar. O outro tampouco notou a novidade divina daquele riso, e sacudiu a cabeça em que faltava todo sentido de urbanidade graciosa, de respeito tenro e de costumes habituais; sacudiu-a assim como se sacode um badalo de sino num dia de vitória. Pois bem, ele tentou demonstrar todas as suas bravuras, e para começar cantou. Conheço as cordas que podia tocar em casos semelhantes, e estou certa que cantou A oliveira lunar. Mas o que essa canção podia significar para o outro? Há séculos, uma voz parecida com uma risada, cheia de desprezo furioso e feliz, chamava os seus pares, e tal era a lei: “Retiremos da terra essas crostas inúteis”.
Ele foi, então, todo covarde, que, em forma de fúria, riu, o outro, esbaforindo, o atacou em cada poro. Começou a chorar aquelas suas lágrimas avermelhadas extravagantes e ativas, e, na boca sentiu um sabor amargo e macio que era para si mesmo uma vergonha, tanto que eu poderia chamá-lo de “sabor de cão”. O outro disse: “Eh! Eh!”.
Ele se deixou vencer por uma solidão estúpida e cansada. E por todos os ossos tremendo de febre e de repugnância, esperou o primeiro salto do outro.
Depois desse breve ataque, retomou o caminho de casa. A covardia não estava mais ao seu lado, mas a morte que latia, e cantava o mais belo hino, que nunca tinha nascido dele, terrestre e negro como sangue turvado, porém invencível como a noite. A morte o acompanhou até em casa. Ali, o servo se inclinou sobre o seu corpo, sem olhos, cheio de feridas asquerosas; e, vendo-o todo exaltado pelo combate e pelo sangue, gaguejou sobre ele: “Morto matado, pobre animal”.
##
Elsa Morante, ”Cão”, in Opere. A cura di Cesare Garboli e Carlo Cecchi. Volume primo. Milano: Arnoldo Mondadori Editore, 1988, p. 1693-1695, tradução Davi Pessoa. Os contos de O jogo secreto foram publicados entre os anos 1937 e 1941 em várias revistas italianas. O Cão foi publicado na revista “Oggi” no dia 30 de setembro de 1939. O livro foi editado por Garzanti na coleção “Il Delfino”, em 1941, sendo o primeiro livro publicado de Elsa Morante
(por davipessoa)
p
Thursday, October 04, 2012
outros já fizeram o que não invalida mais este bom pra cachorro
a foto faz parte de um projeto de um fotógrafo que documenta -e inventa- atividades e poses para seu cachorro. a ideia não é original. mas isso não quer dizer que não é boa. as fotos dezenas e dezenas, são muito interessantes. perfeitas para quem gosta de cães e fotografia.
http://maddieonthings.com/
Wednesday, August 29, 2012
das gentes, gatos, computadores e máquinas de escrever bons pra cachorros
Trabalhei na TV Manchete em um período em que
eles queriam fazer teledramaturgia. O diretor, então, me pediu que eu
escrevesse uma novela. Eu não quis. Mas fiz algumas sinopses: Dona Beija (1986), Kananga do Japão (1989), Marquesa de Santos (1984). Eu dava as ideias e contratava os diretores. Contratei a Glória Perez, o Wilson Aguiar Filho
(1941 – 1991)... Dava ideias, mas me recusava a escrever. Tinha
preguiça. Mas a vida continua, tem um processo, uma dinâmica. O tempo
foi passando, o casamento acabou e eu passei a amar cachorros. Eu
detestava cachorros, mas depois acabei descobrindo neles uma porção de
virtudes. Há um tempinho, fiz uma crônica na Folha de S. Paulo
comparando o cão à máquina de escrever. O computador é o gato. Porque a
máquina de escrever é fiel, como o cachorro. E o computador é
independente, tem vida própria, como o gato. A máquina só faz o que você
pede, já o computador apaga umas coisas, aparecem outras que você não
quer. Aparece um Papai Noel tocando um sininho. Às vezes, eu estou
fazendo uma coisa séria e vem aquele Papai Noel batendo o sininho. Quem
botou aquele Papai Noel ali? Não sei, é vírus. Minha máquina de escrever
nunca teve vírus. Envelheceu dignamente. Só que, por causa desse texto,
recebi e-mails desaforados, dizendo que cachorros são poluidores e não
servem para nada. E eu fiquei indignado porque, afinal de contas, amava a
minha cachorra. Quando voltei a escrever, dediquei meu livro à minha
cachorra. Comecei quando ela ficou doente. Eu estava começando a mexer
com o computador. Eu queria dormir, mas a cachorra não me deixava. E eu
ligava o computador. Mas, quando ela percebia que eu queria desligá-lo,
começava a gemer. Aí eu tinha que ligar o computador de novo. Eu
escrevia de tudo, passei a limpo uma porção de coisas e, de repente, não
tinha mais nada para passar a limpo. Eu dormia de dia e cuidava da
cachorrinha à noite, e foi aí que recomecei a escrever. Foi assim que
saiu o romance. Quando ela morreu, botei o ponto final. Não escrevi uma
linha a mais. O Ruy Castro, uma pessoa muito extrovertida, leu e disse que estava muito bom. Levou para o Luiz Schwarcz, (o editor) da Companhia das Letras, e ele editou o Quase Memória,
que teve um bom retorno. Com o dinheiro que ganhei com essa primeira
edição, tomei um navio – gosto muito de navios – e levei um notebook.
Escrevi O Piano e a Orquestra (1996). Depois
me descobri, novamente, num brinquedo. Mas tem uma coisa: não é que eu
vá parar de repente. Agora eu não posso, porque tenho vários
compromissos. Trabalho muito sob encomenda. Há uma verdadeira
demonização de quem escreve sob encomenda. Mas a arte ocidental foi
quase toda feita de encomenda. A arte grega, a Renascença. Mozart morreu fazendo uma missa fúnebre de encomenda. Os Sertões foi uma obra encomendada. Coelho Neto e Olavo Bilac escreveram muitos livros – inclusive pornográficos – de encomenda.
(Trecho da entrevista de Carlos Heitor Cony, concedida a José Castello e publicada em O Rascunho).
Tuesday, August 28, 2012
na dúvida, ultrapasse que é bom pra cachorro
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aprenda a fazer uma cadeira de rodas para cães reutilizando pvc |
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| o visual importa menos do que os benefícios. mas se você caprichar consegue resultados melhores esteticamente falando. |
Embora o PVC tenha longa vida útil e uma durabilidade de mais de 50 anos ele é 100% reciclável, sendo assim, existem milhares de maneiras para transformar este material em algo novo e diferente. É possível até mesmo reaproveitá-lo de maneira a beneficiar um animal necessitado
O CicloVivo dá a dica de como construir uma cadeira de rodas para animais, reutilizando o PVC; um material barato, leve e funcional. A cadeira de rodas traz conforto e mobilidade aos animais que sofreram algum tipo de acidente, foram maltratados, ou até mesmo aos que nasceram com deficiência por algum problema genético e por isso perderam a capacidade de andar normalmente.
O custo de uma cadeira de rodas deste tipo é muito alto. Pensando em
uma maneira de solucionar este problema, a ambientalista e protetora dos
animais, Scheyla Bittencourt, desenvolveu uma cadeira de duas rodas
para os animais com dificuldade.
"As cadeirinhas possibilitam que o tutor devolva ao animal a
oportunidade de se movimentar, auxiliando na reabilitação", esclarece
Bittencourt. Ela completa dizendo que "o equipamento serve para
valorizar o animal deficiente e provocar a reflexão sobre temas como
abandono, guarda responsável, lealdade e respeito aos animais em
quaisquer circunstâncias".
Material
- Tubo de PVC ¾" 2 m;
- Cotovelo PVC ¾" 90º 8 un;
- Te PVC ¾" 4 un;
- Cap PVC ¾" 2 un;
- Luva PVC 3/4" 2 un;
- Rodinha de carrinho de feira 2 un;
- Prego ou parafuso grande para eixo da rodinha 2 un;
- Pano para o assento;
- Fita para prender no peito;
- Cola para tubo de PVC peq.
Método
O passo a passo explicativo está ilustrado na galeria acima. No entanto
é necessário lembrar que devem ser tiradas as medidas exatas do
cachorro que usará a cadeira e ir fazendo os ajustes necessários para
que ela fique adequada ao seu tamanho. Se o animal for muito grande,
devem ser usadas conexões maiores. As emendas são feitas com pequenos
pedaços de tubo com 1,5cm. As patas do cachorro devem ficar com livre
movimentação e encostadas no chão na posição natural. O eixo da roda
deve ser adaptado na ponta do Cap, sendo furado e colado.
Monday, August 13, 2012
Monday, July 23, 2012
com meus culhoes de cão
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| malaquias: o bom pra cachorro que já se foi mas que para sempre será |
serão mais de 30 dias(foram 90) avisa-me sem direito a interregnos o veterinário.trinta dias de curativos em um ventre e abdômen em carne viva quando não parte em putrefação que o senhor dos bisturis, da dor e das gazes e compressas comprimidas por sobre o peito do cão vai descartando com seu bisturi improvisado de lâminas de barbear a falta das lâminas de bisturi dispendidas em atendimentos de emergência que no dia foram para mais de não sei quantos tamanha minha comoção com as dores de todos mas especial do meu.e porquê tudo isto? se a cirurgia de amputação de seu rabo por conta de um tumor correu às mil maravilhas? quero registrar que considero a expressão usada neste contexto de mau odor. uma dermatite alérgica, no espaço da tricotomia(raspagem dos pelos) necessária para a implantação dos contatos para a monitoração da anestesia inalatória, cuidada por extremo já que o cão é um senhor que muito embora de exames bioquímicos melhores do que os meus que estou a caminho mas não sou tão senhor assim, que findou por ser um criadouro de bactérias que lhe tomaram de assalto a barriga e o peito, por entre as fímbrias dos micro cortes que toda tricotomia causa.
cão estressado mas corajoso. todos lhe louvam a coragem enquanto rasgam-lhe a cru as carnes - sedá-lo apresenta riscos que não queremos correr mas que mais adiante cederíamos - vão ser mais de trinta dias de curativos, que desde o quinto diminuímos de dois por dia para um pois nem ele e muito mais nós aguenta - porque o estresse poderia lhe causar uma intercorrência um eufemismo(todo linguajar médico é eufemista para parada cardíaca ou respiratória - enquanto ele se debate contra correias, mordaças, mãos sem conta a lhe obrigar a ir para o sacrifício que não há racionalidade num cão para entender que aquilo que lhe causa tanta dor é para o seu benefício como se o tivéssemos nós quando o dentista nos procede a tortura por muito menos e com muito mais artifícios para enganar ou distrair a dor que nunca vai embora de vez porque a dor é um serviço sempre oferecido em conjunto com o medo, sendo um e outro em perfeita e tão tamanha simbiose que sequer chegam a ser inversamente proporcionais e sim equânimes: aumenta um aumenta o outro ainda mais e assim sucessivamente até o desmaio ou o piti do dentista que nos acha covarde e que assim não pode trabalhar mais ou direito queria eu ver como são dentistas com outro a meter-lhes o ferro no canal que eles juram anestesiado mas que sentimos contorcer-nos as sinapses como o demonstra meu cão ao tempo que o veterinário diz que dói mas nem tanto assim é manha diz enquanto apressa-se a querer consertar a impropriedade dizendo que também eu sou muito corajoso pois nem todo mundo suportaria ver e acompanhar aquilo por todo este tempo também eu envolvido na operação de contenção do cão que eu por ironia já salvei antes da morte para lhe ver livre tanto que nunca lhe coloco sequer coleiras.
não sabem eles todos que eu estou ali do lado não porque tenha culhões para isto. neste exato momento sequer tenho ovos de codorna. mesmo suando frio permaneço de pé porque meu cão empresta-me muito da sua força e resistência a qual tento responder com uma amor que neste momento acho tão mixuruca que fico envergonhado de minha covardia em até nisso depender dele para me mostra uma pessoa melhor.
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Wednesday, June 27, 2012
apagando os rastros para ficar cada vez mais bom pra cachorro
![]() |
| "de rua" ou dadá que chegou para ficar |
Monday, June 25, 2012
a filosofia, que é bom pra cachorro, é para poucos. a compreensão do que é ter um cão, também
o senhor sempre fala da figura do cachorro. por quê ?
- você olha para certo tipo de cachorro e vê nele mais filosofia do que em muitos colegas da universidade. alguns cachorros têm aquele olhar melancólico de heráclito de éfeso, da escola do devir. outros são heideggerianos. eu tenho uma certa afinidade com os cachorros, apesar de não se daquela escola gregados cínicos, que é uma palavra que vem de cão(kynikos é adjetivo de kynon, que significa "cão"). por que é que eu passei a identificar cachorros com filósofos? porque platão, que era um gozador emérito, declara em a república que o cão é o verdadeiro filósofo. o cão sabe distinguir o dono do estranho que está chegando. qual a função da filosofia senão a guarda do ser? o filósofo é o cão de guarda do ser. e não é por acaso que, em curitiba, uma cachorra se apaixonou por mim. quando me viu ficou doida.
in um homem sem rodeios, entrevista com o poeta e professor de filosofia ângelo monteiro, capa do caderno viver, no diário de pernambuco de 24/06/2012.
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