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Wednesday, April 09, 2014

capote é bom pra cachorro

originalmente no misterwalk.blogspot.com


e por falar em estar sozinho, e na pessoa difícil, penso que: executando-se as difíceis paranoicas, levam uma vantagem em relação às fáceis; desenvolvem uma relação estreita e contínua;uma amizade duradoura com a solidão, e que costumeiramente, desde que haja algum talento, há de render bons frutos. o silêncio dos pensamentos é algo de muito boa companhia ao contrário do burburinho de mediocridade que a facilidade dos dias atuais possibilitou.

mostre -me um difícil medíocre, e eu lhe mostrarei um dono sem cão. 

Sunday, March 23, 2014

homens e cão com seu destino de não ter donos. isso também pode ser bom pra cachorro

)

         como todo filme sobre cães, romanceado. mas isto não o invalida. um painel formidável de tipos, um cenário caustico, um cão impar, um dono idem, e aquela sensação incomesurável de perda que sempre se abate sobre os homens e mulheres que foram amados para sempre pelos cães

Monday, October 22, 2012

cão de saturno: ou foram-se os anéis e ficou a escrita bom pra cachorro


Elsa Morante, “Cão”, 1939






Elsa Morante
Cão

O meu cão nasceu sob o signo de Saturno. Vocês saberão, espero, qual estranha cor de dias, verde lívido estriado de roxo, amarelo e sanguíneo, cabe a quem nasce com esse signo. Nele se sentia contínua a presença do astro natal: era diferente dos cães habituais. Iremos chamá-lo de “Ele”, para diferenciá-lo do outro, que inesperadamente entrou na sua vida, esmagando-a.
Enchia, quem o olhasse, de admiração e de compaixão; às vezes, de um tormento inquieto. Tinha um comportamento humilde e afetuoso; e todos eram seus donos, no sentido de que o amor por todos os homens, especialmente se grandes e robustos, o consumia. Se rechaçado, desviava-se rapidamente, com os olhos cheios de pudor angustiante: daqueles olhos a humilhação fazia correr lágrimas de pena, de uma cor turva, como se estivessem quase mesclados de sangue. Para animá-lo, tratando-o como um cão, a fúria vital o possuía, fictícia, e começava a pular com gracejo de ambição ansiosa; mas nem mesmo dessas brincadeiras a dor se ausentava. Esse eco surdo era impossível de ser esquecido na sua voz. Ria, às vezes, com um riso agitado, com a língua pendente e as orelhas baixas. Na noite de lua cheia cantava com uma voz baixa um hino selvagem, lamentoso.
Por que não dizê-lo? Era viciado e vil. Nas suas pupilas, prestando bem atenção, além do amor e da nostalgia absurda de ser um cão, percebia-se uma covardia desesperada, atávica. Sei que se agarrava naquela sua raiz de covardia, consumindo a sua vida, sem trégua. Acrescento que ninguém, naquele país humano e infantil, poderia reprovar nele a existência de uma coisa desse tipo: todos, não digo que não se dessem conta dela, mas queriam esquecê-la. Aliás, com respeito pudico, removiam dele a ocasião de revelar a sua raiz pálida. A um animal que sabia rir e chorar e que conhecia a arte do canto, nenhum homem, ou cão, nunca poderia perguntar-se se sabia excitar-se. Eu já o disse, era viciado. Procuravam-no como guia (era um erudito que, farejando, descobria as ruínas antigas); chamavam-no de “belo”, embora fosse um simples cãozinho bastardo. Os malandros lhe ofereciam pão molhado e as jovens lhe davam tanta carne crua que uma vez ele teve uma dermatite. É preciso admitir, nesse ponto, que ele não gostava muito de tomar banho. Ficava feliz quando escutava a palavra “belo”, e ria, agitando a língua.
Tinha aproximadamente dez anos, quando um dia, subindo por uma escada de pedra, se deparou com um lindo cão, quase um urso, que lhe disse: “Eh!”. Por que não chamá-lo, de fato, “um lobo”? A fera vibrava e tinha sobressaltos em cada músculo, e rosnando umedecia as suas gengivas. Não havia naquele “Eh”, nem mesmo a condescendência de um desafio, mas uma certeza indiferente, a promessa feita a si mesmo de um jogo rapidamente realizado. Ele riu, para acalmá-lo e para fingir a brincadeira, mas sentiu sob as suas patas, na terra, aquela raiz entorpecida raspar. O outro tampouco notou a novidade divina daquele riso, e sacudiu a cabeça em que faltava todo sentido de urbanidade graciosa, de respeito tenro e de costumes habituais; sacudiu-a assim como se sacode um badalo de sino num dia de vitória. Pois bem, ele tentou demonstrar todas as suas bravuras, e para começar cantou. Conheço as cordas que podia tocar em casos semelhantes, e estou certa que cantou A oliveira lunar. Mas o que essa canção podia significar para o outro? Há séculos, uma voz parecida com uma risada, cheia de desprezo furioso e feliz, chamava os seus pares, e tal era a lei: “Retiremos da terra essas crostas inúteis”.
Ele foi, então, todo covarde, que, em forma de fúria, riu, o outro, esbaforindo, o atacou em cada poro. Começou a chorar aquelas suas lágrimas avermelhadas extravagantes e ativas, e, na boca sentiu um sabor amargo e macio que era para si mesmo uma vergonha, tanto que eu poderia chamá-lo de “sabor de cão”. O outro disse: “Eh! Eh!”.
Ele se deixou vencer por uma solidão estúpida e cansada. E por todos os ossos tremendo de febre e de repugnância, esperou o primeiro salto do outro.
Depois desse breve ataque, retomou o caminho de casa. A covardia não estava mais ao seu lado, mas a morte que latia, e cantava o mais belo hino, que nunca tinha nascido dele, terrestre e negro como sangue turvado, porém invencível como a noite. A morte o acompanhou até em casa. Ali, o servo se inclinou sobre o seu corpo, sem olhos, cheio de feridas asquerosas; e, vendo-o todo exaltado pelo combate e pelo sangue, gaguejou sobre ele: “Morto matado, pobre animal”.
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Elsa Morante, ”Cão”, in Opere. A cura di Cesare Garboli e Carlo Cecchi. Volume primo. Milano: Arnoldo Mondadori Editore, 1988, p. 1693-1695, tradução Davi Pessoa. Os contos de O jogo secreto foram publicados entre os anos 1937 e 1941 em várias revistas italianas. O Cão foi publicado na revista “Oggi” no dia 30 de setembro de 1939. O livro foi editado por Garzanti na coleção “Il Delfino”, em 1941, sendo o primeiro livro publicado de Elsa Morante
(por davipessoa)

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Monday, July 23, 2012

com meus culhoes de cão


malaquias: o bom pra cachorro que já se foi mas que para sempre será

serão mais de 30 dias(foram 90) avisa-me sem direito a interregnos o veterinário.trinta dias de curativos em um ventre e abdômen em carne viva quando não parte em putrefação que o senhor dos bisturis, da dor e das gazes e compressas comprimidas por sobre o peito do cão vai descartando com seu bisturi improvisado de lâminas de barbear a falta das lâminas de bisturi dispendidas em atendimentos de emergência que no dia foram para mais de não sei quantos tamanha minha comoção com as dores de todos mas especial do meu.e porquê tudo isto? se a cirurgia de amputação de seu rabo por conta de um tumor correu às mil maravilhas?  quero registrar que considero a expressão usada neste contexto de mau odor. uma dermatite alérgica, no espaço da tricotomia(raspagem dos pelos) necessária para a implantação dos contatos para a monitoração da anestesia inalatória, cuidada por extremo já que o cão é um senhor que muito embora de exames bioquímicos melhores do que os meus que estou a caminho mas não sou tão senhor assim, que findou por ser um criadouro de bactérias que lhe tomaram de assalto a barriga e o peito, por entre as fímbrias dos micro cortes que toda tricotomia causa.

cão estressado mas corajoso. todos lhe louvam a coragem enquanto rasgam-lhe a cru as carnes - sedá-lo apresenta riscos que não queremos correr mas que mais adiante cederíamos - vão ser mais de trinta dias de curativos, que desde o quinto diminuímos de dois por dia para um pois nem ele e muito mais nós aguenta - porque o estresse poderia lhe causar uma intercorrência um eufemismo(todo linguajar médico é eufemista para parada cardíaca ou respiratória - enquanto ele se debate contra correias, mordaças, mãos sem conta a lhe obrigar a ir para o sacrifício que não há racionalidade num cão para entender que aquilo que lhe causa tanta dor é para o seu benefício como se o tivéssemos nós quando o dentista nos procede a tortura por muito menos e com muito mais artifícios para enganar ou distrair a dor que nunca vai embora de vez porque a dor é um serviço sempre oferecido em conjunto com o medo, sendo um e outro em perfeita e tão tamanha simbiose que sequer chegam a ser inversamente proporcionais e sim equânimes: aumenta um aumenta o outro ainda mais e assim sucessivamente até o desmaio ou o piti do dentista que nos acha covarde e que assim não pode trabalhar mais ou direito queria eu ver como são dentistas com outro a meter-lhes o ferro no canal que eles juram anestesiado mas que sentimos contorcer-nos as sinapses como o demonstra meu cão ao tempo que o veterinário diz que dói mas nem tanto assim é manha diz enquanto apressa-se a querer consertar a impropriedade dizendo que também eu sou muito corajoso pois nem todo mundo suportaria ver e acompanhar aquilo por todo este tempo também eu envolvido na operação de contenção do cão que eu por ironia já salvei antes da morte para lhe ver livre tanto que nunca lhe coloco sequer coleiras.

não sabem eles todos que eu estou ali do lado não porque tenha culhões para isto. neste exato momento sequer tenho ovos de codorna. mesmo suando frio permaneço de pé porque meu cão empresta-me muito da sua força e resistência a qual tento responder com uma amor que neste momento acho tão mixuruca que fico envergonhado de minha covardia em até nisso depender dele para me mostra uma pessoa melhor.

Wednesday, December 12, 2007

bom dia (estamos de volta) bom pra cachorro

as portas da padaria o cão vira-lata aguarda alguém que lhe seja capaz de dar bom-dia com um pedaço do que seja pra comer.

contemplo-o antes de estacionar. de porte médio, pelo castanho, olhos caramelo, tem mesmo cara de gente boa e já me ganha de saída, ou melhor, de entrada. se estiver aqui ainda quando eu sair ganha uma festa e um pedaço do meu café.

adentro a padaria para o habitual. o de sempre, confirma a moça do outro lado do balcão o que confirmo com um aceno - o de sempre é uma vitamina de banana , pão com ovo e um café médio sem leite (já basta o da vitamina).
do assento do balcão, que mais parece assento de guarita, elevo-me a condição de observador priviliegiado de todos que estão dentro da padaria naquele momento. são cerca de vinte pessoas, entre crianças, adolescentes, um pouco mais, maduros e gente quase senil. nenhum deles tem um sorriso na boca sequer naquele começo de manhã ensolarada. muito menos os empregados.

guardo pouco menos de um quinto do pão com ovo que é ainda um pão francês avolumado.

pago a conta e dou ao cão, esta altura já com crise de consciência.
pela espera, rabo abanando, e aquele sorriso de bom dia que só o otimismo de um cão enxergava naquela manhã, apesar de ser um cão de rua, merecia tomar café no meu lugar.

mas claro que num lugar onde os sorrisos estivessem a altura do sorriso largo do seu. bom dia de cão que ainda que fosse só na cara era muito melhor do que o de todos aqueles de uma padaria inteira.

Saturday, January 27, 2007

em obras pra ver se fica bom pra cachorro

neste exato momento e por um bom tempo, estamos em fase de pesquisa e reedição dos textos. voltaremos sim. mas vai demorar um pouquinho. espero que você me espere com eu espero lhe ter de volta, tal como um cão que se perde do seu dono