Tuesday, April 03, 2012

bom pra cachorro: deu no new york times*

Jill Abramson gosta de cães. Desde que assumiu o cargo de editora-executiva do New York Times, em novembro passado, o número de vezes em que cachorros apareceram nas páginas do diário aumentou 45%. A curiosidade foi descoberta por Ron Howell em artigo publicado na Columbia Journalism Review [23/3/12]. O professor de jornalismo do Brooklyn College fez uma pesquisa no banco de dados do jornal e chegou à conclusão que artigos contendo palavras que tenham “dog” como raiz – podia ser “dogs” ou “doggie”, por exemplo – aumentaram de 230 no período de novembro de 2010 ao fim de fevereiro de 2011 para 337 de novembro de 2011 para o fim de fevereiro de 2012 (os quatro primeiros meses de Jill no comando no diário).

Primeira mulher a comandar o Times, Jill é formada em História e Literatura por Harvard, e entrou no jornal em 1997. Dois anos depois, virou editora em Washington e, em 2003, assumiu o posto de chefe de redação. A jornalista também é autora de um livro sobre cães. The Puppy Diaries: Raising a Dog Named Scout [algo como “O diário do filhote: criando um cão chamado Scout”] é uma crônica do primeiro ano de vida do Labrador de Jill. Scout ficou famoso quando sua dona passou a escrever uma coluna no jornal contando as alegrias e desafios de criar um cachorro, e logo ganhou fãs espalhados pelos EUA. O livro traz as experiências de Jill com cães e questões sobre a criação deles. A jornalista conta ainda como seu antecessor no comando do Times, Bill Keller, suspeitava que ela estava usando seu posto de chefe de redação para priorizar pautas sobre cães. “[Keller] me disse que havia notado um súbito aumento no número de matérias cotadas para a primeira página”, escreve ela.

Obsessão nova-iorquina
Howell diz que também ama cães. Mas acredita que os nova-iorquinos amantes de cães estão passando dos limites em sua obsessão canina. E teme que esta obsessão passe a tomar conta dos jornais. O professor teme, por exemplo, que o espaço que seria dedicado a reportagens relevantes sobre comunidades maginalizadas de Nova York seja dominado pelas pautas sobre cachorros.

Conversando com uma amiga jornalista, Howell ouviu que, de repente, a solução é deixar que esta “cobertura relevante” seja feita pelos jornais locais e blogueiros “que realmente se importam com estas comunidades”. Ele discorda ao ler artigos como o que contava sobre um cão chamado Major, cujos latidos serviram de “música de fundo” em um casamento. Outra matéria, poucos dias antes, falava sobre como os cães que participam de filmes não podem ser comparados com os atores humanos, mas ainda assim dão, muitas vezes, shows de interpretação.

Em uma consulta a um período de quatro meses 15 anos atrás, Howell descobriu apenas 167 referências a cachorros no Times, o que indica um aumento de mais de 100%. Uma pesquisa no Daily News mostrou que a cobertura sobre cães seguiu a mesma nos últimos 15 anos – de 84 a 89 referências, hoje, também em um período de quatro meses. “Um aumento de 45% no precioso espaço do jornal dado a cães é algo significativo”, diz o professor.

(*o aumento da cobertura canina no New York Times, no observatório da imprensa, com tradução da letícia nunes.curiosamente o título da matéria original era: bom pra cachorro).


Tuesday, February 21, 2012

que venha o planeta dos macacos ou histórias para ninar seu filho boas pra cachorro

em julho de 2010  uma explosão numa fábrica da china matou 13 pessoas e feriu 300. no meio do pipoco imagens gravadas revelam um macaco salvando um filhote de cão levando-o para longe da explosão.

enquanto isto, dando mostras da nossa evolução e do nosso dna divino, continuamos a cortar mãos de gorilas para servir de cinzeiro, comemos cérebro de macacos crus(comer cachorro no caso ja é sobremesa) e uma infindável lista de má sorte para todo tipo de experimentações lancinantes e torturantes, já agora, para com todos os animais.

a nossa tão propalada civilidade cada vez mais nos faz esquecer quem verdadeiramente somos. primatas, sem dúvida. mas daquela variação do gênero que produziu uma maioria de espécimens que vão do mal ao pior sempre em nome de deus e da vida, e que por isso por onde quer que passe ou ponha a mão produzem morte e mortandade aos milhões, o que não pode ser contido pelos poucos que não sofreram este "tipo de mutação".

os macacos seriam mais cruéis? tenho minhas dúvidas, macaqueio.

Monday, February 13, 2012

dos dois tipos de abandono nenhum deles bom pra cachorro

hoje acordei com uma fome de cão! bem, então reze para não ser vira-lata então, que desgraça maior só sendo cachorro de madame: obeso, mal mimado, inchado, glutão, morto. só assim se igualando aos seus irmão renegados de rua.

Friday, February 10, 2012

banzé pra você também. eita! cãozinho bom pra cachorro


banzé, vira lata da foto, foi salvo do abandono após ser encontrado vagando numa praça em jardim aeroporto, piracicaba.

tempos depois,na mesma praça onde foi abandonado, banzé salva seis filhotinhos de gato que ele encontrou numa caixa fechada jogado no lixo. seguindo os miados que ouviu, rasgou a dita cuja por instinto ou por vontade de retribuição? vai se saber ou arriscar palpite nestas histórias - não metam deus aqui pra não estragar a beleza animal do acontecido. e assim, um a um, banzé leva para a casa que o salvou, os gatinhos que encontrou com a certeza ou a determinação, vai-se lá saber, de que seu ato implicaria que seriam salvos da mesma forma que ele o foi um dia, pleno de conteúdo quem sabe por já ter vivenciado o abandono e a difícil vida nas ruas que não se consegue imaginar, gente ou bicho, se não passou por lá. não é história de marley, de pescador ou de qualquer outra coisa que busca explorar os cachorros pelo lado do entertainment.
slices of life, como se diz, que: se não produzem emoções em massa, batem bem mais fundo em quem tem um mínimo de decência sentimental e sabe o que é ser abandonado, principalmente em idade tão indefesa.
se algum consolo há, resta saber que quem os colocou na caixa, há de ficar na sua para sempre sem banzés a resgatá-los. 
entretanto, mais de uma vez, quedo-me apensar nos milhares, milhões de animais que não tem um banzé, humano que seja, de ouvidos e portões abertos, para além das caixas em que se meteram em vida tão vazia.

Wednesday, February 08, 2012

testemunha ocular do ruim pra cachorro

eu vi o que você fez com seu cachorro no verão passado(especialmente nesta hora de crise, para os portugueses)

Monday, February 06, 2012

faro fino bom pra cachorro


com os animais, aprendi a ser mais humano. na verdade menos. e com isso melhorei sensivelmente como pessoa, até farejo melhor os semelhantes.
(twitter do misterwalk:@misterwalk/twitter.com)
photo by isa leshko ( da série animais idosos)

Friday, February 03, 2012

nenhuma jaula é grande demais. mesmo a do coração não é bom pra cachorro

criada pela agência de publicidade alemã jung von matt, para a organizaçao de defesa dos animais NOAH, a campanha objetivou sensibilizar a consciência pública das condiçoes brutais vividas por animais em cativeiro, que causam mutilaçao, canibalismo e morte. pôsteres de animais como elefante, zebra e girafa, impressos em tamanho real, foram colocados em midia exterior em espaços inadequados, precisando para isso serem amassados e comprimidos. daí o título-conceito. "nenhuma jaula é grande o suficiente'.(dica do bluebus).
como bem se vê, cada um do seu posto, pode contribuir para a melhor sorte dos animais que não tem a mínima culpa - e já agora preparo biológico - para conviver com o que nos tornamos: a pior espécie de predador que coube ao planeta. pode parecer paradoxal e niilista. mas é verdade. apenas uns poucos espécimens ditos humanos olham para os da sua espécie, quando não dedicados as outras. o resto é o que se vê por aí. estão matando a sí, as outras e ao planeta. e ainda usando como desculpa que isso é coisa de deus ou do diabo. vade retro! humanos.

Sunday, January 29, 2012

declaração universal dos direitos dos animais( mas se você cumprir aí na sua rua já é bom pra cachorro)


seja um humano direito. defenda os meus como deveria defender os seus.



1 - Todos os animais têm o mesmo direito à vida.

2 - Todos os animais têm direito ao respeito e à proteção do homem.
 
3 - Nenhum animal deve ser maltratado.
 
4 - Todos os animais selvagens têm o direito de viver livres no seu habitat.
 
 5 - O animal que o homem escolher para companheiro não deve ser nunca ser abandonado.
 
6 - Nenhum animal deve ser usado em experiências que lhe causem dor.
 
7 - Todo ato que põe em risco a vida de um animal é um crime contra a vida.
 
8 - A poluição e a destruição do meio ambiente são considerados crimescontra os animais.
 
9 - Os diretos dos animais devem ser defendidos por lei. 

10 - O homem deve ser educado desde a infância para observar, respeitar e compreender os animais.

Preâmbulo:


Considerando que todo o animal possui direitos;
Considerando que o desconhecimento e o desprezo desses direitos têm levado e continuam a levar o homem a cometer crimes contra os animais e contra a natureza;
Considerando que o reconhecimento pela espécie humana do direito à existência das outras espécies animais constitui o fundamento da coexistência das outras espécies no mundo;
Considerando que os genocídios são perpetrados pelo homem e há o perigo de continuar a perpetrar outros;
Considerando que o respeito dos homens pelos animais está ligado ao respeito dos homens pelo seu semelhante;
Considerando que a educação deve ensinar desde a infância a observar, a compreender, a respeitar e a amar os animais,
Proclama-se o seguinte

Artigo 1º 
Todos os animais nascem iguais perante a vida e têm os mesmos direitos à existência.

Artigo 2º 
1.Todo o animal tem o direito a ser respeitado.
2.O homem, como espécie animal, não pode exterminar os outros animais ou explorá-los violando esse direito; tem o dever de pôr os seus conhecimentos ao serviço dos animais
3.Todo o animal tem o direito à atenção, aos cuidados e à proteção do homem. 

Artigo 3º 
1.Nenhum animal será submetido nem a maus tratos nem a atos cruéis. 2.Se for necessário matar um animal, ele deve de ser morto instantaneamente, sem dor e de modo a não provocar-lhe angústia. 

Artigo 4º 
1.Todo o animal pertencente a uma espécie selvagem tem o direito de viver livre no seu próprio ambiente natural, terrestre, aéreo ou aquático e tem o direito de se reproduzir.
2.toda a privação de liberdade, mesmo que tenha fins educativos, é contrária a este direito. 

Artigo 5º 
1.Todo o animal pertencente a uma espécie que viva tradicionalmente no meio ambiente do homem tem o direito de viver e de crescer ao ritmo e nas condições de vida e de liberdade que são próprias da sua espécie.
2.Toda a modificação deste ritmo ou destas condições que forem impostas pelo homem com fins mercantis é contrária a este direito. 

Artigo 6º 
1.Todo o animal que o homem escolheu para seu companheiro tem direito a uma duração de vida conforme a sua longevidade natural. 
2.O abandono de um animal é um ato cruel e degradante. 

Artigo 7º 
Todo o animal de trabalho tem direito a uma limitação razoável de duração e de intensidade de trabalho, a uma alimentação reparadora e ao repouso.

Artigo 8º 
1.A experimentação animal que implique sofrimento físico ou psicológico é incompatível com os direitos do animal, quer se trate de uma experiência médica, científica, comercial ou qualquer que seja a forma de experimentação.
2.As técnicas de substituição devem de ser utilizadas e desenvolvidas. 
Artigo 9º 
Quando o animal é criado para alimentação, ele deve de ser alimentado, alojado, transportado e morto sem que disso resulte para ele nem ansiedade nem dor.

Artigo 10º 
1.Nenhum animal deve de ser explorado para divertimento do homem. 
2.As exibições de animais e os espetáculos que utilizem animais são incompatíveis com a dignidade do animal. 

Artigo 11º 
Todo o ato que implique a morte de um animal sem necessidade é um biocídio, isto é um crime contra a vida.

Artigo 12º 
1.Todo o ato que implique a morte de grande um número de animais selvagens é um genocídio, isto é, um crime contra a espécie.
2.A poluição e a destruição do ambiente natural conduzem ao genocídio. 
Artigo 13º 
1.O animal morto deve de ser tratado com respeito.
2.As cenas de violência de que os animais são vítimas devem de ser interditas no cinema e na televisão, salvo se elas tiverem por fim demonstrar um atentado aos direitos do animal. 

Artigo 14º 
1.Os organismos de proteção e de salvaguarda dos animais devem estar representados a nível governamental.
2.Os direitos do animal devem ser defendidos pela lei como os direitos do homem.

Sunday, March 29, 2009

se amássemos como os cães seria bom pra cachorro. e talvez sobreviveríamos: nós e eles




A revista Superinteressante (edição 263, março/2009) deu capa aos cachorros.

A matéria sobre os cachorros – muito bem redigida, aliás – é assinada por Alexandre Versignassi, Bruno Garattoni, Emiliano Urbim, Karin Hueck e Larissa Santana, com design de Adriano Sambugaro. Abre comprovando que os cachorros são tratados como filhos. Os termos são os mesmos: creche, criança, pais. A criança é o cachorro. Os pais são os seus donos. "Sim, tratamos nossos cachorros como se eles fossem nossos filhos", diz o texto, logo no primeiro parágrafo, delimitando tema e problemas do contexto. E continua, recorrendo à ciência, informando que os cachorros despertam tanto amor e carinho quanto um bebê. Mas conhecidas afinidades entre homem e cachorro estão alterando os dois.

A chave para que cachorros e crianças sejam tratados da mesma forma, segundo o texto, está num hormônio chamado ocitonina, liberado, por exemplo, nas parturientes, que desperta a sensação de apego por outras pessoas. Pesquisas feitas pelo professor japonês Takefumi Kikusui, da Universidade de Azabu, indicam que o amor que sentimos por crianças e cachorros é o mesmo. Vejam bem, não é que é semelhante, é o mesmo! E o professor não é nenhum Prêmio Ignóbil, criado para satirizar pesquisas ridículas.

Adoram que se lhes diga o que fazer
A reportagem é ilustrada com exemplos concretos. A bilionária americana Leona Helmsley deixou US$ 12 milhões para sua cadelinha Trouble. O site marryyourpet (case com seu cachorro) oferece cerimônias e certidões de casamento. Carolyn, casada há cinco anos com Oliver, nome de seu cãozinho, diz que ele é seu "salvador".

Este é um exagero, mas ilustra até onde vai a substituição de pessoas por cachorros, sobretudo em casais que demoram a ter filhos ou outros que, tendo envelhecido, ficaram sozinhos. Quando a solidão aumenta, o cachorro produz emocionalmente duas substituições: a dos filhos e a do cônjuge que partiu, por separação ou por morte.

Outras pesquisas, estas feitas nos EUA, dão conta de que 34% das mulheres e 23% dos homens americanos consideram o cachorro o par ideal, se este fosse humano.
O biólogo húngaro Ádám Miklósi, da Universidade de Eötvös, especialista em inteligência canina, afirma que, ao contrário de lobos, macacos e gatos, igualmente submetidos à experiência, os cachorros imitam naturalmente as ações humanas e podem ser treinados para milhares de tarefas diferentes com poucas instruções, pois na verdade eles adoram ter alguém que lhes diga o que fazer.

Buldogue tornou-se gordo e enrugado
Os primeiros entendimentos entre o cachorro e o homem datam da Era Glacial, há 15 mil anos, quando o homem deixou de ser nômade, fixou-se em alguns lugares, ensejando o surgimento das primeiras vilas. Os restos de comida passaram a atrair ratos, baratas e... lobos. Estes dividiram-se entre aqueles que fugiam do homem e aqueles que a ele se apegaram, vivendo perto das casas. Foi quando este tipo de lobo mudou, tornando-se cachorro!
De todo modo, o cachorro, na companhia do homem, teve que trabalhar para ganhar a vida. Passou a conduzir e a guardar rebanhos, a guardar casas, puxar trenós etc. Hoje, o cachorro, como tantos homens, está desempregado!
No final do século 19, a partir da Inglaterra, as novas funções dos cachorros mudaram, levando os homens às combinações genéticas que resultaram em dezenas e centenas de novas raças. A International Encyclopedia of Dogs, ainda sem tradução para o português, estima que as 20 raças existentes em 1800, já eram 40 em 1873 e chegaram a 70 na Primeira Guerra Mundial. Hoje, existem cerca de 400 raças.
Depois de tantas experiências e misturas, os problemas não demoraram a aparecer. O buldogue, originalmente atlético, tornou-se gordo e enrugado. Motivo? Alguém achou que ele ficaria mais bonito assim.

Etimologia dá luz adicional
De resto, influenciados pelo homem, os cachorros passaram a ser vitimados pelos males do dono. Foram morar em apartamentos, não fazem mais exercícios, comem demais, tornam-se obesos pela vida sedentária e alimentação excessiva.
Em vez de caminhar – as caminhadas foram reduzidas para uma ou duas vezes por dia – o cachorro imobilizou-se na companhia do dono. E vieram as doenças e distúrbios psicológicos causados pelo novo tipo de vida. Nos EUA, tais males vêm sendo combatidos com remédios. Há seis anos, 25% dos cachorros tomavam algum tipo de remédio. Hoje, são 77%.
No limite, o homem resolve seus problemas com o cachorro mediante soluções drásticas. Nos EUA, aplica-se anualmente a pena de morte a 1.500.000 cachorros que se atreveram a morder alguém. Mas quem o criou feroz? No caso, é executada a vítima das manipulações. Os autores continuam impunes. Também nisso o homem imita o homem, não o cão. O cachorro não maltrata a mão que o apedreja. Para ele, os versos de Augusto dos Anjos soam inverossímeis: "O Homem, que, nesta terra miserável,/ Mora entre feras, sente inevitável/ Necessidade de também ser fera". Ao contrário, vivendo com o Homem, o cachorro sentiu necessidade de também ser Homem...
A etimologia pode dar uma luz adicional a tão bela matéria. A palavra cachorro veio do latim cattulus, diminutivo de cattus, gato selvagem, depois também domesticado. O homem apega-se a qualquer filhote, sobretudo de mamíferos e, em português de hoje, passou a chamar de gatinho todo e qualquer filhote, fixando-se a denominação para o cão, filhote ou não.

(cara de um, focinho de outro, por deonísio da silva, no
observatório da imprensa)

Now playing: mutantes - vida de cachorro via FoxyTunes

Saturday, February 07, 2009

cara de cão bom pra cachorro



ao receber o globo de ouro, mickey rourke, catapultado da sarjeta ao olimpo por uma atuação soberbamente orgânica em " o lutador ", agradeceu aos seus cães, enfatizando que, às vezes, a única coisa que um homem tem no mundo é o seu cão.

dono de seis cachorros no momento, todos retirados de abrigos, reafirma que na sua pior fase, seus cães deram-lhe afeto e o ensinaram que ele podia cuidar de algo vivo, e não só o destruir. disse ainda que não estaria ali se não fosse por eles. e que espera reencontrá-los quando morrer.

o que será dos homens que sequer tem os seus cães, se calhar nem os seus demônios, destes do tipo que atropelam intencionalmente cachorros, principalmente quando estão engatados, ou daqueles que jogam água fervente em cães e gatos, ou deixam-lhes morrer á mingua, não sem antes uma boa tortura ou envenenamento ?

qual a cara de cão que não existe em outros nós ?

para estes animais, haverá salvação ?

Now playing: jarabe de palo - perro apaleao via FoxyTunes

Tuesday, August 05, 2008

os partcoloridos são bom pra cachorro

na cabeça da mesma cabeça do husk o olho azul dos visionários e o olho verde dos revolucionários sonhavam em ser os olhos negros da libertação.
quedaram-se cinzas e castanhos dum animal de estimação.


Monday, March 17, 2008

com os meus olhos de cão talvez por isso bom pra cachorro

título de livro da hilda hilst, escritora-texto, que na sua casa do sol, para além de homens e mulheres das teorias e práticas literárias,abrigava mais de cinquennta cachorros.

cansado, labute da minha obra diária de nunca menos de 12 horas chego a casa onde me esperam 13, que já foram mais, ficando eu viúvo de suas ausências.

a última, águia, dobbermann, contrariava todos os estereótipos em relação a raça e a sua utilização idiota nos filmes. meiga e carinhosa, tornou-se mãe, irmã, companheira de brincadeiras do tsunami, vira-lata preto com orelhas de dálmata e uma pulsão que lhe antecipou o nome. só águia aguentava o tsu.

sem ela, tsu perdeu-se no pedaço de quintal que lhe cabe, impossibilitado de estar com os demais, por conta das brigas com folks e ganido.

cabe-lhe então o passeio, no fim da noite. quase capotando, mal deixo o carro na garagem, ele explode no convite à rua.

sigo-lhe os passos e vou assomando novas energias. chego a orla inteiro junto com o tsu que sucumbe a grandiosidade do mar. seu menear da cabeça e seus olhos levam-me junto as sensações de olhar o mar, se não da primeira vez, após longo tempo distante.

deixo-me levar cada vez mais por sua curiosidade e tento exergar com seus olhos de cão
o que ele vê naquele mar escuro de onde incessantemente curioso suga uma brisa e marolas que não espantam as andorinhas noturnas que bicam a areia que lhes alimenta.

não sei se tsu, aonde enxergo apenas saudade e um desejo que águia desponte na impossibilidade da vida ressurgida na escuridão das águas, vê apenas as outras possibilidades de brincadeiras que a vida nos proporciona, tal como as marés entre suas idas e vindas, vazantes e cheias, perdas e ganhos.

o fato é que ainda não consigo abanar o rabo. tsu faz isso por mim. e neste instante, com meus olhos de cão vêjo nele um cão-beija-flor que insiste em me lamber apesar de tal espinho.

Wednesday, December 12, 2007

bom dia (estamos de volta) bom pra cachorro

as portas da padaria o cão vira-lata aguarda alguém que lhe seja capaz de dar bom-dia com um pedaço do que seja pra comer.

contemplo-o antes de estacionar. de porte médio, pelo castanho, olhos caramelo, tem mesmo cara de gente boa e já me ganha de saída, ou melhor, de entrada. se estiver aqui ainda quando eu sair ganha uma festa e um pedaço do meu café.

adentro a padaria para o habitual. o de sempre, confirma a moça do outro lado do balcão o que confirmo com um aceno - o de sempre é uma vitamina de banana , pão com ovo e um café médio sem leite (já basta o da vitamina).
do assento do balcão, que mais parece assento de guarita, elevo-me a condição de observador priviliegiado de todos que estão dentro da padaria naquele momento. são cerca de vinte pessoas, entre crianças, adolescentes, um pouco mais, maduros e gente quase senil. nenhum deles tem um sorriso na boca sequer naquele começo de manhã ensolarada. muito menos os empregados.

guardo pouco menos de um quinto do pão com ovo que é ainda um pão francês avolumado.

pago a conta e dou ao cão, esta altura já com crise de consciência.
pela espera, rabo abanando, e aquele sorriso de bom dia que só o otimismo de um cão enxergava naquela manhã, apesar de ser um cão de rua, merecia tomar café no meu lugar.

mas claro que num lugar onde os sorrisos estivessem a altura do sorriso largo do seu. bom dia de cão que ainda que fosse só na cara era muito melhor do que o de todos aqueles de uma padaria inteira.

Saturday, January 27, 2007

em obras pra ver se fica bom pra cachorro

neste exato momento e por um bom tempo, estamos em fase de pesquisa e reedição dos textos. voltaremos sim. mas vai demorar um pouquinho. espero que você me espere com eu espero lhe ter de volta, tal como um cão que se perde do seu dono

Saturday, December 23, 2006

quem não tem cão escreve com gato. ou vice-versa. eu, escrevo com os dois o que sem dúvidas é bom pra cachorro


Eles não são fáceis de entender quanto os cães, é verdade. Mas quem aprende a conviver com esses adoráveis felinos tem companhia para a vida inteira.

Como de costume quando escrevo em casa, não estou sozinha encarando a tela branca do Word. Cuca, minha quase siamesa, já se aboletou em meu colo; Chicó, um preguiçoso amarelo tigrado, tira sua soneca exatamente sobre minhas anotações. Somos família há quatro anos, desde que, depois de decidir incluir gatos em minha vida, fui procurá-los numa feira de adoção. Ninguém mais me faria tanta companhia assim, horas a fio, na mais doce serenidade, tecla após tecla. Sim, escrever com um gato do lado é tudo de bom: bate um branco, você faz um afago; vem uma idéia, comemora-se em conjunto; ele se esfrega em sua perna, você dá graças por alguém lhe brindar com uma desculpa para parar um pouco. 

Não é à toa que, mundo afora, já se tornou clássica a associação dos bichanos com escritores, artistas e intelectuais. O físico inglês Isaac Newton, por exemplo, curtia tanto seu gato, que atribui-se a ele a invenção da “cat-flap” (aquela portinhola bastante comum nos Estados Unidos e na Europa) para que o animal pudesse entrar e sair do quarto escuro, onde realizava seus experimentos, sem incomodá-lo. O escritor norteamericano Edgar Allan Poe escreveu seu famoso conto “O Gato Preto” inspirado em Catarina, sua felina de estimação, que ajudou a aquecer na cama os pés de sua esposa, enquanto esta morria de tuberculose durante um rigoroso inverno. Nem mesmo o sagrado profeta do Islã, Maomé, escapou do encanto: diz a lenda que, certa vez, quando foi chamado com urgência no exato momento em que seu gato dormia em seus braços, o autor do Alcorão teria sacado a espada e recortado a área do manto onde estava o animal – para não perturbar seu sono.

Por aqui, a coleção de fãs também vai longe. A escritora Lygia Fagundes Telles, os poetas Carlos Drummond de Andrade e Ferreira Gullar, o pintor Aldemir Martins, a psiquiatra Nise da Silveira (e vamos parando a lista por falta de espaço…), todos eles não só conviveram com pelo menos um, como dedicaram considerável parte de seu talento e obra para homenagear seus gatos. “É uma chance de meditação permanente a nosso lado, a ensinar paciência, atenção, silêncio e mistério. O gato é um monge portátil à disposição de quem o saiba perceber”, escreveu em sua ode “Simplesmente Gatos” o jornalista e cronista Artur da Távola.

Saber perceber: está aí a chave para desfrutar do melhor do espírito felino e talvez também a origem de muito do preconceito que ronda os bichanos. “Gatos não são tão óbvios”, diz a psicóloga e veterinária Hannelore Fuchs, uma das principais especialistas em comportamento animal do país. “A linguagem não-verbal dele é totalmente diferente da do cão, com o qual a espécie humana está habituada a conviver há muito mais tempo”, explica. Gatos se expressam como... gatos, ora. Quem espera rabinho abanando, lambidas festivas, obediência e truques de adestramento certamente achará o gato a própria versão em carne e pêlos do chuchu. Por outro lado, aprenda o que significa o ronronar, aquela vibração que mais parece um chiado de motor, para cair de amores da próxima vez que um bichano reagir com esse som a um carinho seu: é o sinal máximo de contentamento do gato, prova de que ele está relaxado e se sentindo no céu com sua companhia.

Vontade própria
Ah, mas o gato nem sempre vem quando você chama. E também pode lhe dar uma arranhada se não estiver muito a fim de chamego. Verdade, verdade. Mas veja só: você se levantaria feliz de uma soneca deliciosa se o motivo não fosse lá muito bom? Já não teve vontade de mandar às favas alguém que não soube a hora de parar com uma determinada brincadeira? Então, por que exigir tamanha submissão de um bicho de estimação? Conviver com um gato exige, antes de mais nada, respeito aos limites e à individualidade, o que é um aprendizado valioso especialmente no mundo dos humanos. “Para amar os gatos, você precisa ser livre”, escreveu Nise da Silveira, a primeira psiquiatra no Brasil a apostar que a interação com um animal poderia fazer maravilhas por doentes mentais. “É muito difícil não só ser independente, como lidar com uma criatura independente”, dizia ela.

Gatos são independentes, mas também amam. Esse é um lado do seu comportamento que está sendo cada vez mais vivenciado pelo homem. Graças ao estilo de vida moderno. O número de gatos domésticos não só aumentou nos últimos anos (no Brasil agora são 13 milhões, um aumento de 20%, contra 28,8 milhões de cães, segundo os fabricantes de ração), como o tipo de interação com eles mudou. “Hoje, com casas e famílias menores, há muito mais intimidade entre o gato e seu dono, o que estimula mais laços de amizade”, diz Hannelore. Ao contrário do que diz o senso comum, gatos não “são da casa”. “Se houver uma relação de afeto entre vocês, ele pode até ficar estressado com uma mudança de endereço, porque tem medo do novo – e quem não tem? –, mas dificilmente vai tentar fugir”, diz.

De todos os tipos
A fantástica capacidade de adaptação da espécie, aliás, é outro dos motivos que vêm fazendo sua popularidade crescer. Gatos amam viver pelos telhados, mas também se dão bem com o confi namento em pequenos apartamentos; incorporaram o conforto da vida doméstica e o convívio com o homem, mas mantêm como poucos seu lado selvagem. São tão complexos que nem mesmo grandes especialistas como o veterinário suíço-americano Denis Turner, uma das maiores autoridades no assunto, se atrevem a descrever o que seria um comportamento padrão do gato. “Cada gato tem uma personalidade distinta”, diz Turner em seu livro The Domestic Cat – The Biology of its Behaviour (“O gato doméstico – a biologia de seu comportamento”, sem edição brasilera). “O gato doméstico é um tema ideal de estudos sobre individualidade e personalidade”, afirma. Quem tem mais de um em casa dificilmente discorda dessa afi rmação. Tomemos como exemplo minha dupla aqui de co-autores. Chicó é gato malandro e curioso, que sabe o que é errado mas nem por isso deixa de experimentar. Adora ficar entocado em bolsas e caixas e caça besouros com precisão. Já a Cuca é uma lady reencarnada em gata: manhosa, carinhosa e obcecada por esvaziar gavetas e brincar com fi os e cordões. Adoro observá-los e, pelo jeito com que me olham fundo nos olhos, tenho certeza de que conhecem minha alma mais do que eu. Se bobear, qualquer dia desses, ainda escrevem sua própria versão deste texto, que poderia se chamar “O barato do homem”, e muito bem começar assim: “Como de costume, não estamos sozinhos encarando a tela do Word: Aline, nossa prestativa e carinhosa humana, já se aboletou em frente ao teclado…”

Aula de gatês
MIADO: Ele não é só um simples “miau”. Pode ser feito como um murmúrio, com a boca fechada, com a boca semi-aberta, ser curto, longo ou parecer mesmo um grito e significar idéias tão diferentes quanto “Olá”, “Quero algo” ou “Deixa, vai…”. Se você começar a observar as variações de miados que seu gato emite ao longo do dia, logo, logo perceberá que os sons são levemente diferentes de acordo com a situação.
RABO: É um dos melhores termômetros de seus sentimentos e intenções. Quanto mais alto e reto, melhor o humor. Rabo abaixado entre as pernas é sinal de medo, movimentos leves podem indicar curiosidade e excitação, movimentos sinuosos demonstram impaciência e golpes vigorosos avisam que o melhor é deixar o gato em paz – especialmente se vierem acompanhados de um miado agudo.
ORELHAS: Orelhas em pé são sinal de que está tudo bem. Já orelhas achatadas e para trás podem indicar tanto medo quanto um ataque iminente.
BARRIGA: Gato jogado no chão, de barriga para cima, é convite certo para um carinho. Não resista.
RONRONAR: Sinal de contentamento, relaxamento e amizade.
ROÇAR: É um gesto de carinho, mas também a forma que o gato tem de dizer que algo é seu: seja a casa, seja o sofá ou até mesmo sua perna. Quando ele se esfrega em algo, suas glândulas imprimem ali seu cheiro, que serve de aviso para possíveis gatos invasores.
Para saber mais
Livros:
Gatos, a Emoção de Lidar, Nise da Silveira, Leo Christiano
The Domestic Cat, Dennis C. Turner, Cambridge
Por que os Gatos São Assim?, Karen Anderson, Publifolha
Gato, Manual do Proprietário, Sam Stall e David Brunner, Gente

(o barato do gato, de aline angeli, para a revista vida simples)

Sunday, November 26, 2006

da série soltando os cachorros no meu quintal: vacinando-me contra o que não vacina


tenho quinze cachorros. antes que pense que um sou um louco não vacinado, digo-lhes que a eles vacino religiosamente.
procuro dar-lhes o melhor que posso, dentro daquilo que o dinheiro pode conseguir para protegê-los de virus, bactérias, e tranmissões de outras hediondices, até humanas, que o amor não afasta. e assim sendo, procuro, das melhores, as vacinas.

dizem os profissionais, do atendimento médico-veterinário, e das vendas, que as vacinas que realmente vacinam são as importadas. argumento das nacionais, e escuto o abanar de cabeças condenatório. imunes a qualquer argumento de que as mesmas vacinam alguma coisa e não sei se faro canino já impregnado, algo olha este aí armado em amante dos cães e querendo dar-lhes uma vacina que não imuniza nem o bolso, já que em alguns pontos de venda, saem por 3.75 reais, enquanto noutros, pela minha cara, ou seria pelo meu rabo? saltam para o patamar dos 10 reais, quando não a baba dos 14 reais. antes que você coloque o rabo entre as pernas se eu falar-lhe do preço das importadas, algumas chegam a 40 ou mais, faça as contas multiplicando nacionalmente por 15.

sei que muitos irão falar: quem manda disperdiçar dinheiro com esta vira-latada toda? tanta gente passando fome e o sujeitinho ai fazendo contas a prestação de 15 vezes não sei das quantas, mais do que suficiente para a compra de cestas básicas, estas piores, porque dois critérios de preços entre o nacional péssimo e o nacional menos pior, para bocas também não vacinadas contra a demagogia que serve algo pior que ração da pior qualidade para cães. e olhe que é servido por aqueles que se dizem amantes dos homens, quer dizer dos pobres. pobres deles, pobres dos cães.

e assim, ponho-me a pensar: que será dos cachorros alfinetados a torto e a direito nestas campanhas de vacinação, cujas vacinas, sabe-se lá em que condição de armazenamento, digamos, nacionais? se as tais nacionais, dizem os vendedores e veterinários, nacionais, se bem que na categora até encontremos alguns importados, dizem que não server?

servirão eles? e servirá, para os cães, e neste caso nós, um governo de um país que através de suas entidades de controle epidêmico, ditas de higiene ambiental, de saúde animal, permitem, estimulam, se não uma coisa outra? — ou a verdade de que não servem ou a mentira comercial pensada para estimular a diferenciação que justifique o preço animal de algo que está ligado intrinsecamente ao nosso bem estar e a saúde da população?

estou disposto a pagar bem mais do que quarenta reais por uma vacina que nos imunize contra este tipo de autoridade infectada. o problema é que tem de ser uma vacina nacional. e nacional, dizem, vocês já sabem, não presta.

neste caso, ainda é melhor a doença, do que a solução importada, acredito, a espera de que se desenvolva tenazmente algum tipo de auto-imunização a esta pandemia.

meus cachorros, porém, tem muitas dúvidas de que isso aconteça alguma vez. eles já foram vacinados por ambas e continuam em estado de risco.

quanto a mim, pensando bem, posso dizer o mesmo.

(foto do chokito, cão a espera de adoção, extraida do site viralatasnit.multiply.com que recolhe cães na cidade de niterói e cidades próximas no rio de janeiro rio de janeiro.

Wednesday, October 25, 2006

Tuesday, September 26, 2006

nunca fui bom pra cachorro em aritmética





a solidão de um cão sem dono nos dá uma produnfa dó. mas como será a do gato? multiplicada por suas sete vidas?

Saturday, September 16, 2006

Sunday, August 27, 2006

gata em telhado de zinco quente as vezes sim as vezes não bom pra cachorro

listras laranjas* e brancas. olhos azuis de céu de criança. sabe-se lá como chegou a telhado. teria nascido alí, a gata-mãe não soube me dizer. acordei sobressaltado com os miadinhos. lá se foram as telhas da casa de cachorro que nunca cumpriu esta função, a não ser por breves instantes guardar o tsu(tsunami) que como o próprio nome já diz derruba tudo que vê pela frente com a força inocentemente perigosa da primeira idade.

ainda não tem nome. cresce nas telhas infinitamente mais rápida do que o musgo que lhe faz companhia. e como todos nós corre o risco de cair, ainda não tem tentação mas telhado abaixo. de um lado, espera-a, se salvar-se dos grampos de ferro, chão de cimento e mina, uma boxer branca, que a olha como espetinho. em nossa casa, tsu e água, uma dobermann quanticamente imensa, que a estropiarão antes de tocar ao chão.

foi isso que me fez subir. retirei a gata e a mãe, que sempre arisca, nunca me deixou tocá-la, salvo no dia do parto, em que massageei sua barriga. sumiu e apareceu de barriga murcha. onde os filhotes? não deu para descobrir. descobria uma agora.

trouxe-a para dentro de casa em uma caixa de transporte. peralta, a (única) gata da casa, em meio a quinze cães(tsu, águia, moki, pequetita, mini, elétrica, fracote, bolota, mexicana, dayse, ganido, sauna, branca, folks e oncinha) disparou sua crise de ciúmes como um bote mortal.

foi uma tarde inteira e começo de noite até meia-noite, cuidando dos ciúmes de uma e das necessidades de outra. sem solução. teria que soltá-la e a filhota. onde, pergunta e solução sempre difíceis. sabia onde havia nascido a mãe. eu a alimentava desde pequenina. mas lá os humores se transformaram. de casa de anciã bondosa, agora necessariamente acompanhada de empregadas que enxotam todos os gatos com ameaças públicas de " vou dar um fim neles ", agora não mais terreno de proteção.

zanzei meia rua inteira. deixei-á lá mesmo assim. a filhota saiu para a rua. a mãe tentou carregá-la, como fazem os gatos com seus filhotes, carregando-a pelo pescoço, mas parecia não conseguir, aquela bolinha que mais parece novelo de lã, mas pesa , e tigre pequeno, forço, quando desperta e cabaleante descobre a vida que não sabe se será gozada por quanto tempo.

a meia-noite de sábado a rua está movimentada, até racha tem. não vai ter muita chance, penso. e retiro-a da rua. e volto a zanzar, até que a trago de volta, seguida pela mãe que agora sabe tem um aliado. passo mais meia hora sem saber o que fazer. a mãe afasta-se por uns instantes e entra na terceira casa a frente, onde residem uma husky e uma dobermann com cara de poucos amigos. passdo algum tempo a gata mãe ressurge no meu telhado. entendo, meio incrédulo, que aquele é o caminho para chegar ao meu telhado. sigo com a filhota até o meio do caminho e a solto no chão. a mãe, tenta várias vezes sucumbindo ao peso do filhote até que, mais decida, agarra-a com determinação que eu não tive diante da situação e entra casa da dobermann e husky adentro, no momento que de lá saeem broken, seu gato-irmão, que tem tal nome dado por mim por conta do rabo quebrado,e batmanzinho, outro irmão, que seguiu vida a fora, sumindo da área, sem nenhum robin, motivado pelo susto-quase-morte que águia lhe deu lá no jardim quando só não o mastigou por obediência ao grito da minha mulher.

volto para casa, confesso, decepcionado. mal chego, escuto miados no telhado. lá estão a gata-mãe e a filhota. compreendo que lá e o seu lugar. compreensão mais fortemente confirmada, quando vejo que ela na manhã seguinte a retira de dentro do estuque, apesar das dificuldades, onde a abriga a noite da friagem ou chuva e de onde a retira quando o dia amanhece, imagino por conta do calor e das necessidades da filhota levar sol.

hoje a filhota passou o dia no telhado entre sono profundo e os cuidados da mãe que de vez em quando ausenta-se para cuidar de outras necessidades.

por enquanto filhota, apesar dos olhos abertos, mal anda. mas vai crescer, e como em todo crescimento implica enfrentamento de perigos e dificuldades, quanto mais forte, mais se aventurará para as bordas do telhado, valorizando ou desperdiçando sua vida ao tempo que atemorizando a minha.

mas não há outro caminho, ensina-me mãe e filha, já que não tenho como abrigá-la dentro de casa tento me justificar, já que isso significaria a morte em vida para a peralta, além dos sobressaltos constantes com parte dos cachorros que não aceita gatos de jeito-maneira.

gata e filhota ensinam-me que não está na minha mão as suas vidas, se a elas não me dedico por inteiro a construir-lhes outro pouso que não este telhado.

neste e em muitos outros casos,o acaso e a necessidade comandam a vida e a morte, fenômeno que alguns preferem chamar de deus. sobreviverá, cairá, de que lado? quem saberá?

fato é, que o homem, se não convence como filho de deus, tampouco jamais poderia sê-lo, por melhor que seja sua boa vontade. além disso, como ser um deus que da mesma maneira transforma telhas em abrigo e em trampolim para a morte? desdigo dos altos e baixos daquilo que seriam minhas ripas de pensamento que tentam construir o telhado sempre gotejado pela impossibilidade de alcançar a perfeição e a salvação dos animais que me são tão caros.

* foto meramente sugestiva.

Monday, August 07, 2006

bom pra cachorro e seus assistentes à escrita

não escrevo os meus blogs sozinho. madrugada a dentro, peralta, a gata, enrosca-se no i-book em poses de pin-up, enquanto pequetita, a cadela, enrosca-se nos meus pés seguindo meus passos mesmo quando não ando. não opinam, não resmungam, não bajulam. mas que ajudam, ajudam. como faço disto um atividade séria, não permito a entrada dos outros animais à redação. muito embora vontade e jeito não lhes falte. se os deixasse entrar, isso aqui viraria jornal do brasil.

se resistirmos até baía formosa, seremos menos ou mais do que hoje? que somos quinze, e que já fomos mais ou menos, isso sem contar os gatos e cães da rua?
mais de cinquenta haviam na casa do sol, da hilda hilst, a razão, penso, não era espaço. era a qualidade da sua escrita acasalada a da sua loucura, luzidia e fundamentalmente lúcida de dar dó.

penso então, que sou um privilegiado. número proporcionalmente gigante de cachorros e leitores diante da minha escassa serventia e do meu não-talento pra lá de arranhado.
mas que rabos abano e outros tiro da cadeira, pra além do meu, posso dizer que sim. afinal, este é um columblog de tiros e quedas.

depois saio à rua desejando ser o vampiro de curitiba, sedento de sangue sim, mas totalmente avesso às pessoas de vida sem necessidade.
mas por enquanto, apenas passeador de cachorros e palavras. em blogs também habitados por pulgas e carrapatos.

Thursday, July 20, 2006

quase naif enquanto é bom pra cachorro

pululante como uma bolinha de pano. uma coisinha puxada por correntinha. vindos da praia. sal na testa do moleque e sede na boca do totó. bi-color,ainda não mais de 45 dias de vida e já no asfalto quente, linguinha de fora. esforçando-se por seguir seu dono. passando da conta da equidistancia entre passadas de um e patadas de outro. alegria de amizade assim, fiel de tão bela, cuja inocencia é exalada pelos tenros odores de cachorrinho novo, se quedará murcha pelo crescimento dos dois.
do cãozinho, o retrato da vida com sua pelagem preto no branco, que em breve ficará turva. pois a criança, sendo homem, depois de a tudo o sujeitar, o sujará de tudo e de todo.
(originalmente publicado no misterwalk.blogspot.com)

Sunday, July 16, 2006

felicidade contábil registra o lucro de ser bom pra cachorro

vira latas o filme, tiago ferigoli
nunca estive tão feliz como agora, em que aparentemente nada dá certo.
devo isso as cachorradas que a vida fez para comigo. catorze para ser mais exato, neste momento. mas tudo indica que a cachorrada vai aumentar.

Saturday, April 08, 2006

meia mordida do bom pra cachorro







somente para os cães eu dou a outra face.

zezinho: um "manezinho" bom pra cachorro

"você é responsavel por tudo aquilo que cativa".

a citação nos fazia rir debochadamente. tempos da ditadura, tempos das misses, que indefectivelmente citavam le petit prince(oui, muitas delas em francês), do antoine de saint-exupery, como seu livro de cabeceira.

não sei quantas delas ou quantos de nós realmente leu o livro. brasil é assim. é o país onde se gosta ou não se gosta de um livro, de um fime, de uma peça, sem o ler, ver ou assistir. mas o fato, impensável, é que, imagine, se alguns de nós, tipos engages, ia lá ler um livro meloso daqueles ? livro de miss? alguns, até durões, talvez, mas no disfarçe.

não sei quem, presenteou-me com um exemplar do pequeno príncipe, anos 60, acho, num formato simpático de caderneta de endereços, capa dura, e umas ilustrações do principezinho louro, que de vez em quando punham-me a matutar, principalmente aquelas, dele sobre planetas, em sua solidão. tempos mais tarde, adquiri num sebo uma edição em francês, sem a graça desta, mas ainda imbuído de um ligeiro deboche.

zezinho, mas é como se fosse manezinho, manezinho é quem nasce na ilha de florianópolis, não sei se você sabe? é o nome que dei a um bichano que apareceu cá por estes dias. pra não parecer provocação aos manés - aqui também mané tem a conotação de otário, trouxa, comumente definido como bocó - uma forma carinhosa presente na ambiguidade dos diminutivos. zezinho é um quase gato de rua, que após uma briga ou uma investida sexual que durou toda a noite, devidamente acompanhada da algazarra que só os felinos sabem fazer, quedou-se ante a porta na manhã seguinte, coro estropiado e uma coriza crônica.

não seria eu que, estando de passagem, ainda mais na casa dos outros, não me conhecesse neste tópico - sempre digo para mim mesmo que não vou mais apanhar animais de rua, e já tenho 14 cachorros, uma gata, e quase meia a dúzia mais, já que os alimento diariamente. quer dizer, agora minha mulher o faz, enquanto estou ausente, com se não bastasse um histórico de ter muitos mais animais - que o alimentaria de esperanças. mas os donos da casa, muito embora não o quisessem, de certa forma o fizeram. comidinha aqui, água ali, zezinho foi tomando conta.

tomando conta fiquei eu. um mucolin pediátrico para os brônquios e seus mucos, um antibiótico que se faz necessário porque a coriza anda renitente, uma pacote de whyskas que confirmou que sim, ele já teve casa, e já comeu ração, tamanha excitação só de ver a embalagem.

zezinho foi conquistando espaço na casa e já na minha vida, sendo a sua maior conquista a permissão, que não foi logicamente dada por mim, de subir e refestelar-se no sofá. não fosse o clima, já teria lhe dado um banho, o que não o impede de roçar-me a barba - finalmente alguém que gostou da minha barba - o que descobri após um cochilo no tal sofá, devidamente acompanhado por zezinho que deitado sobre o meu peito, ninou-me com seu ronronado para depois acordar-me aos quase beijos. e assim, firmou-se um ritual, que já completa mais de uma semana.

mas toda história tem um fim. e o fim para o zezinho, será ficar sem mim. e sem a casa, já que os donos também vão partir para outra e mesmo sendo mais ampla não contemplam a possibilidade de vê-la com mais um morador. nestes dias de procura e espera, zezinho tem me acompanhado, contrariando a falsa noção de que os gatos são " interesseiros" e que só nos procuram na hora da alimentação. zezinho é um cão de guarda fiel. interessa-lhe estar junto e vejo nos seus olhos que nada mais espera do que a companhia do que sabe ele faz-lhe bem. e nos fazemos bem um para o outro como só nossos olhos e nosso peito sabe avaliar.

a não mais de uma semana de partir, hesito agora em deixar-lhe subir o peito e aproveitar este convívio o mais que possa. ao tempo que fico entre as duas crueldades; decepar agora a nossa relação, antecipando-lhe, e a mim, o vazio, pra lá de existencial, que sabe-se lá como será preenchido ou envolver-me o mais profundamente nestes "últimos dias de pompéia " , talvez como se fossemos thelma e louise até o buraco final ?

ontem estive numa livraria e não achei o antoine. e lembrei-me do meu sorriso debochado a desdenhar de mim próprio.

sendo uma história de aviador, eu não consigo, mesmo no fundo sabendo que posso, terminá-la achando um lugar para zezinho no meu avião. o que me recorda das muitas vezes em que intrigado já vi gatos olhando para o céu a procura do ronco daqueles pássaros que tenho dúvidas se não sabem eles levam gentes sem nada na mão.

Friday, March 31, 2006

não troque seu cachorro por uma criança pobre. a troca é outra. e é bom pra cachorro

tá certo que num mundo onde os humanos são abatidos e torturados a torto e a direito, bater-se pelos direitos dos animais soa, para alguns, falta de humanidade. 

o grande equívoco do " troque seu cachorro por uma criança pobre " não pode continuar acontecendo. crianças e cachorros, gatos, jegues, enfim, animais, tem muito mais em comum do que pensam aqueles que se ofendem por analogias. ambos, quando ultrajados, não sabem, nem tem condições de defender-se por sí só, diante de tamanho recrudescimento e "desenvolvimento" da violência que elabora-se em requintes sem limites, a começar dos testes de laboratórios. 

cabe a nós, independentemente do que é, não omitir-se diante de qualquer espécie de violência. contra animais ou humanos. omitir-se, é compactuar. o que é uma covardia ainda maior. seja um humano minimamente decente, antes que você se torne um verdadeiro animal coisa que só os maus humanos conseguem ser em tamanha plenitude que nós preferimos chamar de humanos aos animais que nos dão lições diárias de imensa sabedoria, até mesmo em sua crueldade que não costuma ser gratuita.

Thursday, March 23, 2006

e quem nos adotará ? isso seria bom pra cachorro e não só



num instante a árvore. noutro, ela, ao sopé. sorrimos e ela escafedeu-se para debaixo dos carros e colou-se a terra como piche na lataria. dali ninguém tirava. e olhe que eu não sou de desistir fácil. insisti, mudei de lado, postei-me à frente, a marcha-fé e nada, no máximo movia-se debaixo de um carro para outro. minha diretora de arte resolveu tentar apesar da mini-saia que a expunha. não por isso ou por causa disso, nunca se sabe, finalmente, a cadela saiu de lá. levamos para dentro da agência.

bolachinha,água,carinho, dúvidas, nome: apple(publicitário não tem jeito mesmo). tão bem tratada não poderia ser de longe. bairro residencial, fugiu, assustou-se, nenhuma explicação. soltamos e ele voltou. na terceira vez desistimos e improvisamos para ela uma residência lá atrás da agência, deixando-lhe como "varanda" a passagem lateral.

a princípio arredia. carinhosa mas arredia, quando não fechando as mandibulas sobre nossas mãos, com maior ou menor força a depender da nossa intensidade. um pedido, uma grita. tinhamos que ir embora. como passará a noite ?

pela manhã, mais cedo do que de costume. lá estava ela, sorridente e já agora solta no jardim(improvisamos um portão na lateral) dando seu pulos e piques que se tornariam característica, adoçada, para ela, pela perseguição implacável as lagartixas, as quais alcançava até no topo do muro que superava muito jogador de basquete. arrancava das paredes ainda vivas, e brincava com elas torturosamente, apesar das nossas inúmeras tentativas frustadas de salvar a vida dos seus briquedos.

apple, deu vida a nossa convivência. a agência que era uma cachorrada só passou a fazer sentido. e tudo graças a uma cadela. agora sim, batíamos vontade de vir para agência e custávamos a sair, muito embora sempre fizessemos isso graças a intermináveis briefings de última hora. mas agora o fazíamos com prazer. e com prazer também montamos a escala de alimentação e passeio do fim de semana. passeio sim, que dávamos todos os dias, mas cuidada ela neste quesito, pela diretora de arte.

mais de uma semana. sabíamos que não podia durar para sempre. eu com meus já quinze cachorros. ela com dois, já sendo quase expulsa do seu apartamento. e apple a nos conquistar impiedosamente, dia a após dia, a ponto de já não irmos mais almoçar para ficar com ela, que agora sim, entrava na hora do almoço e no fim do expediente, para fazer " artes" conosco em plena sala de criação.

já estava conosco há quase três semanas e num passeio a diretora de arte me chega aos prantos. havia achado a casa da apple e o seu antigo dono(nós agora éramos os donos) que simplesmente enxotou-na para a rua sob a alegação de que apple era violenta e endemoniada(sic)e que não a queria mais nem leiautada com outra cor. triste fim de tarde aquele, após um lampejo de alegria, ainda que levemente triste, no caso de ela ser aceita.

não tinha jeito. a agência estava para fechar e tínhamos de dar uma solução. fizemos este cartaz( o melhor trabalho que fizemos na agência, vá lá que seja, o feito com mais ardor) e o circulamos num mail entre conhecidos.

telefonemas sim. e nada de alguëm vir vê-la. é mansa, é bonita, tem carrapato? apple já era um carrapato nas nossas vidas. as vezes chegava a esquecer-me que tinha 15 cachorros de tanto pensar e conviver(ela estava na agência) com a apple.

um dia, um velho conhecido da agência veio fazer um reparo na agência e deu de cara com ela no portão. e mais adiante com o cartaz, que também colamos a entrada. amor a primeira vista? não sei. não dava para entender muito. o senhor que queria levá-la era algo fanho. e não entendemos patavina. mas ele tinha um sorriso largo e seu carinho em apple era convicente, ainda mais que ela o aceitou bem.

em menos de meia hora apple partia em um fusca abarrotado de tralhas, daquele com bagageiro em cima, mas que nunca cabe tudo que leva, apesar de parecer levar o mundo. prometemos que íriamos visitá-la(e fomos) que olharíamos pelas vacinas(não olhamos) e ela se foi.

dias seguintes um vazio tão grande como uma tela de computador sem texto ou leaiute. já fazia mais de uma semana e nenhuma notícia. não fomos ver. não ligamos. ficamos só a sofrer. liga-se, ninguém responde. uma vez, duas vezes, é muita aflição. um telefonema para saber dela e uma resposta finalmente de que ela não estava mais com quem a levou. o homem era meio fanho, santo deus, o que afinal teria acontecido ? e lá fomos nós para bomba do hemetério. periferia do recife, com mais vontade de achar do que conhecimento do caminho. depois de quase hora de sobe e desce morro. dá-mos de cara com ele. tudo bem. apple não se deu com sua mais que pequena pinscher. e ele a entregara para a cunhada. alí mesmo, do outro lado da rua, quase em frente.

casa modesta, terraço-garagem fechado, e um carro precioso para apple se enfiar por baixo. uma leve desconfiança de ambos os lados( a nova dona, talvez por achar que queríamos levá-la - nós só queríamos bem e portanto saber se ela estava bem) e nós se ela estava bem cuidada. nem bem começaram as explicações na base da minha menina é louca por ela, meu marido ainda mais, todo dia passeia com ela, todo orgulhoso, já nem quer saber mais de mim, e apple surge a nossa frente. nos reconhece e fica alegre, mas já não tanto, sinal de que já tinha encontrado sua nova casa.

nunca mais ví a apple. e tenho uma vontade enorme de saber se ela ainda está bem, isto mesmo após quase um ano sem vê-la. mas tinha uma espécie de vergonha de ir lá, mesmo que fosse pra vê-la só de longe. e sinto tanta vergonha por isso, até hoje que estou a milhares de quilômetros dali.

fiquei devendo a apple a última dentada.

Sunday, March 05, 2006

adote que é bom pra cachorro



                             adote. você vai se emocionar para sempre

diógenes é bom pra cachorro


sou chamado de cão porque faço festas para quem me dá coisas, lato para quem me recusa e rosno para quem não presta - em cãezinhos, do multon getty, da sextante. um dos poucos livros de foto-legenda de cães que não é totalmente picaretagem. mas o melhor ainda é cão zen.

tristezas de um homem feliz ou vice-versa de ser bom pra cachorro

como se fosse princesinha



morador da metrópole acordo as quatro e meia. não tenho radinho de pilha nem galo no quintal. de vez em quando, um bem-te-vi me pilha no sono o sonho de outros quintais.


infalivelmente, no entanto, princesinha, gata de rua, que já pensei chamar de penélope, tamanho dengo e charme que traz no rabo flocado e no movimento de cabeça agradecido ao encaixe dos meus dedos sobre sua cabeça, e de quem cuidei invariavelmente por meses à fio, desde os primeiros da sua curta vida, acorda-me com modulações raras de ser ver em felinos, fantasio, tornando-se o meu galo de estimação que irrompe as madrugadas

insistentemente, mas nunca a ponto de me chatear, faz-me sentir importante nestes dias em que viver não o tem sido, resmungo, intolerante que ando com humanos cada vez mais.

vocalise nata, princesinha guarda sempre uma modulação a mais. lembra quase um "thank you em caixa leslie”, quando coloco sua ração por baixo do portão que ela ávida pateia por entre a quase fímbria de espaço antes do crocs e creques ávidos da minha presença. no quase minuto que ouço seus miados a romper em suíte os ligamentos do meu sono, por vezes titubeei entre dormir mais um pouco e atender seu pedido que traduz, mais do que comida, o quase abre-te sésamo do portão para os primeiros afagos do dia, a despeito de águia, a dobermann, cujo focinho tem quase o tamanho da gata e que tudo acompanha com o interesse da tenra idade dos cachorros grandes no tamanho mais ainda pequenos de verdade.

mais do que rotina, ser acordado por princesinha, me era tão importante quanto fazer um grande anúncio.

amanhã, ainda que o sol irrompa, o bem-te-vi cante, e a troupe que inclui margarida a mãe, saci e batmanzinho, irmãos e demais sobrinhos de princesinha, átomo e neôa, cumpram o ritual do nosso encontro diário, repleto de cambalhotas, lambidas e orelhas em riste aos ronronados, meu dia será triste. tal como um roteiro que tinha tudo para dar uma boa campanha e foi estragado por intromissões alheias à sua realização. pois encontrei hoje princesinha morta. não mais que quinze minutos após a ter alimentado a tarde, hora de calor que antecipava a chuva em lágrima do mais tarde.

junto a quina do meio-fio. duas casas após. o meu galo de todas as manhãs tinha os olhos semi-cerrados e o ventre empapaçado. provavelmente resultante do petardo de algum automóvel contra seu corpo quase pena e lépido, que se movia com a alegria de quem quase cantava por me saber vindo já há mais de vinte metros de distância quando a rua dobrava.

madrugadas posteriores serão mais vazias do que as manhãs de quem não tem galos para acordar. ainda mais porque hoje eu não abri o portão para princesinha.

(originalmente publicado no cemgrauscelsius.blogspot.com)

não cachorros na aparência mas bom pra cachorro e muita essência deles, e vice-versa

em perigo de extinção, os burros de miranda, portugal, passam a sobreviver agora, ainda mais perigosamente por conta da perda de verbas que sustentavam o projeto de sua recuperação. tudo em razão de novas diretrizes da comunidade européia que fecham os cofres, para uns e esbornam para outros, o que atinge o projeto em portugal como um coice.

por aqui, nossos jegues, jericos, burrinhos, asnos, não os que comandam o país, porque isto é ofensa para os animais, são retalhados a um real, e expulsos de muitos municípios, principalmente no rio grande do norte, pois tornaram-se obsoletos, dizem, com a chegada também das motos.

animais que desde as bandeiras são responsáveis diretos pela expansão e manutenção de nossas fronteiras, da nossa identidade nacional, ainda mais diretamente pelo sustento e sobrevivência de toda a nação nordestina, recebem assim a sua paga, como se não bastasse toda sorte de maus tratos, torturas e barbaridades, estas em que se fartam até hoje toda sorte de gente.

depois, dizem, os animais não somos nós, o que também não deixa de ser mais uma ofensa aos próprios.